”Carpe Diem” ou ”O primeiro semestre de 2013”

Bem, esse texto não é um texto comum para o blog… Sabendo que esse blog não tem textos comuns, vc pode imaginar que se eu to avisando é porque o lance pode ser tenso… É um resumo dos últimos 6 meses e de como histórias iniciadas em textos passados, situações vividas e exploradas em outros textos desse blog culminaram em alguns momentos, é como uma continuação… Eu falei em um certo momento aqui no blog que a vida pode ser vista como uma Novela Mexicana ou uma série de tv dividida em temporadas. Bem esse texto serve pra dizer que mais uma temporada acabou, que acabou bem, mais uma fase chegou ao fim, que muitos ganchos foram deixados e que a próxima temporada promete muito.

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Pro texto não ficar muito grande eu vou passar por alguns pontos superficialmente e dentro de uma linha… Uma linha que eu escolhi porque parecia óbvia…

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Bem, eu não sou de escrever resoluções de ano novo, é algo que eu acho meio bobo, meio desnecessário. Mas ao longo desse primeiro semestre eu olhei algumas vezes para uma página bem especial no meu caderno de anotações. Por volta de Novembro do ano passado, de madrugada, em outro estado… Voltando do musical Priscilla e pensando no show da Gaga, com aquela sensação de estar correndo que São Paulo me proporcionou, sentado no vagão do metrô, eu me lembro de estar pensando em duas coisas e ter escrito algo próximo a uma resolução de ano novo.

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A primeira coisa que eu pensei foi “Puta que pariu, é tarde da noite, se eu não saltar no local certo, eu provavelmente vou estar morto amanhã de manhã”

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e o mais importante;

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“Pras coisas darem certo eu tenho que agir, agir pra atingir os meus objetivos… Mas pera, o que eu quero? Quais são meus objetivos?”

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Naquele mesmo momento eu escrevi quatro coisas, quatro coisas não tão simples e nem tão complicadas, mas quatro coisas que eu não havia conseguido concluir ou atingir até aquele momento e que com certeza seriam parte do futuro que eu quero para mim.

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Resolução 2013

Listinha escrita no caderno de anotações

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Bem, todos os itens estão marcados… Mas não quer dizer que eu os conclui, por exemplo, a UNB… Eu nesse momento só sei que eu fui aceito, não tive nenhuma aula, então… Não posso falar que conclui… MAS que eu passei. Eu não quero fazer desse texto um mural de realizações e êxitos, porque na boa, não foi assim… Eu quero mostrar que as vezes, tomando as decisões erradas ou certas no momento certo, as coisas podem rolar…

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Quanto a Claude Debussy, ano passado eu desisti de entrar nela para ir pro show da Gaga (o que super valeu a pena) e esse ano eu ainda tava num dos momentos apaixonados que eu tenho e simplesmente esqueço do mundo, me focando só em algo (nesse caso… alguém) e eu perdi a audição da Claude, eles fecharam todas as turmas e em um primeiro momento não havia a miníma chance de eu entrar. Conversando com a organizadora do curso, ela falou que lembrava de mim, levantou a possibilidade de fazer uma audição particular, porque ela lembrava de mim, mas por fim disse que matrículas já tinham sido feitas e horários arranjados, que a única possibilidade seria entrar na turma básica (uma turma menor, para a qual tbm rolam audições bem menos concorridas).  Não era o que eu queria, não era o que eu queria MESMO, mas para não ficar parado eu fui em frente, porque de todo modo eu ainda teria aulas de canto, dança, interpretação e sapateado e poderia fazer o que eu mais queria… Um número do musical The Book of Mormon, um dos meus favoritos. Bem, eu nunca fui um primor em dança, me diverti com o sapateado e embora meu professor diga “vc canta bem, mas não aprendeu nada nesses 6 meses”, eu ganhei facilidade e uma certa melhoria de técnica vocal.

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O número do final do semestre… Depois de encontrar dois mórmons em um ônibus e ganhar um livro deles (uma coincidência que ocorreu no primeiro dia de aula), eu sabia que não tinha como fazer outra coisa. Eu poderia ter ido melhor se tivesse escolhido algo mais simples, ou mais fácil. E bem eu não diria que eu fui péssimo (outras pessoas diriam isso por mim, facilmente), a diretora disse que eu conduzi o tempo todo (ela estava ao piano, não conhecia a música e tava com um terçol no olho, por mais que o instrumental tivesse o papel de guiar, não dava… E eu me preocupei muito em ela conseguir acompanhar ou não) e também disse que eu sou afinadíssimo… Ao mesmo tempo disseram que minha voz parecia muito baixa em alguns momentos e muito alta em outros, disseram que meu foco estava fraco e que os agudos foram alcançados, mas de maneira errada… É uma música de tenor, é complicada… Mas sabe, por mais que eu não tenha sido tudo o que eu queria… Eu fiquei satisfeito no final, era o que queria fazer, era o número que eu queria apresentar e por mais que não tenha sido perfeito, eu não me contentaria em fazer outra coisa. Quando eu me virei e meus amigos me abraçaram e falaram que gostaram, que eu arrasei, bem não foi tudo o que eu esperava… Mas no final, indo contra a vontade do meu professor e contra as probabilidades… Eu fiz o número que eu queria fazer, não exatamente da forma que eu queria, mas no final, foi feito. E isso é algo importante para lidar, saber o que se quer e saber que nem sempre vai ser como se quer… Mas que se a sua motivação é sincera, você vai ficar feliz no final. Talvez por ter tentado, mas principalmente por ser sincero…

Kevin Price

I BELIEEEEEEEEEEEEEVE

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Mas enfim, fiz o que eu queria desde o ano passado na ETMB, o número que eu semprequis. Isso era o que eu esperava da ETMB, o que eu não esperava eram as pessoas, eu fiz muitas amizades lá, pessoas com quem eu falo praticamente todos os dias da minha vida e podem não ser pessoas que vão estar comigo pra sempre, mas são pessoas que nesses primeiros 6 meses tiveram um papel fundamental pra minha vida… Por exemplo, as aulas aos sábados me ajudaram a decidir que na inscrição da UNB eu optaria por artes cênicas e não psicologia, eu faria psicologia em uma particular caso não passasse na UNB. O que nos leva ao segundo ponto…

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A UNB foi um caso bem interessante, porque eu sempre fui bem vagal na escola, eu passava porque era bom em provas e em trabalhos, mas meus cadernos eram muito mais recheados de estórias e desenhos do que de conteúdo (razão pela qual eu sempre me fudi em específicas), então eu me inscrevi pra UNB sem grande empolgação, eu não li nenhum edital e não estudei, resumindo… Por mais que não fosse um curso bem concorrido, eu realmente achei que eu não fosse passar, porque eu simplesmente não me preparei nem um dia… A última vez que eu peguei em um livro pra estudar foi no terceiro ano (quase há 4 anos atrás)… Nunca falei que não ia passar por charme e sim porque eu provavelmente só passaria por um milagre, depois de ver que havia uma demanda de mais de cem pessoas para vinte e seis vagas (o que não é muito comparado a um concurso público, mas é assustador pra quem não se preparou), eu tinha certeza que não passaria… Mas em uma prova que caiu Broadway, havia um pouco de esperança em mim…

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Esperança que quase sumiu quando faltando 4 horas pro segundo dia da prova especifica eu descobri que tinha que fazer dois monólogos (magicamente resolvi ler os editais), um de livre escolha e um obrigatório, o obrigatória era de livros que eu nunca li, montei ele em 20 minutos e ensaiei na porta da sala, me falaram que eu podia embromar porque os professores não conheciam os livros… Foi uma surpresa enorme quando o professor me disse “ah, eu conheço esse livro, conheço esse personagem e eu não lembro dessa parte no livro”, a minha oratória nunca me foi tão útil, minha explicação envolveu atualizar o personagem, os seus sentimentos e motivações e misturar isso com os protestos que ganhavam o país, aparentemente ele comprou minha ideia, eu não fui desclassificado. O segundo monólogo era livre e poderia me enterrar também, nas pressas eu decidi cantar uma música, uma música que eu não tinha ensaiado muito, mas já conhecia um pouco, OH WHAT A CIRCUS do musical Evita, foi um improviso tão escroto que eu cantei em português (tradução minha feita as pressas) e no final sabendo que eu tinha só uma chance pra ganhar… Eu cortei a última seção da música e adaptei uma parte de Don’t cry for me argentina (sabendo que é a música mais popular do musical e que teria mais chances deles conhecerem), a avaliadora deu uma risadinha e pela primeira vez nos dois dias de prova especifica eu senti que tinha feito algo certo. O mesmo professor que antes tinha me dado um semi-sermão pediu permissão para “quebrar o decoro” e dizer que havia gostado muito e que diferente da maioria que se propõe a cantar, eu tinha sido bem afinado e coeso.

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Bem, por mais que fosse improvável, incluindo aqui que a minha redação do vestibular foi baseada na música Vogue da Madonna, eu passei pra UNB, em um curso não tão concorrido, mas o bastante pra eu ter como certo que não ia passar. BEM, eu vou ser rápido daqui pra frente…

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Ainda restavam dois pontos no caderninho, dois últimos pontos que são mais complicados, Negócios de Família é um livro autoral que eu tento terminar há algum tempo, mas eu nunca tinha conseguido ficar satisfeito, nunca tinha conseguido que ele me parecesse atrativo, que parecesse algo que alguém realmente parasse pra ler, ao mesmo tempo que a premissa sempre me pareceu ridiculamente interessante. Ao longo desses primeiros 6 meses eu acabei me afastando muito de alguém que eu amava muuuuuuuito (e ainda amo), porque entre outras coisas não rolava igualdade, era um lance bem unilateral, na mesma semana da prova especifica ou pouco depois, eu decidi dar um fim nisso, me afastar completamente e ficou um vazio, um vazio de vontades e de sonhos que pareciam enterrados com aquela relação… E eu percebi o óbvio, não era nada compartilhado, era tudo meu e se era meu eu poderia fazer o que quiser com isso e esse era o elemento que faltava para concluir o livro, trazer ele pra perto de mim, humanizar o livro, tornar ele interessante, colocar sentimentos reais…

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Eu não perdi alguém, no final eu só coloquei meu sentimento em algo que valia a pena. Bem, o livro foi concluído e eu acho honestamente que é um livro bastante especial, eu sei que arranjar uma editora e alguém que compre uma ideia central alternativa (é segredo, não posso falar sobre, mas envolve temas bastante atuais) vai ser foda, mas eu não vejo como impossível, essa história se desenrolará ainda por algum tempo… Mas eu realmente acredito nela. Assim como a do último ponto ”It’s all about Lips”, eu não vou falar muito sobre ele também, mas é um projeto difícil e eu precisaria de ajuda para consolida-lo… Resumindo… Eu recebi uma oferta da minha mãe “se vc passar na unb, eu te ajudo a concluir isso”. Bem, eu passei e isso tá bem encaminhado…

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Depois de tudo… Depois de aprender que as coisas só acontecem se nós agirmos, se nós corrermos atrás delas… Conseguir atingir essas metas foi meio que um tudo ou nada, eu consegui ir em frente com a minha resolução e não só isso, os quatro pontos ocorreram juntos, ocorreram ligados um ao outro como um efeito dominó, se eu não tivesse optado por abrir mão da ETMB ano passado eu não teria ido pra SP, não teria escrito a lista, se eu não tivesse apaixonado não teria perdido a audição, se eu não tivesse perdido a audição não teria entrado em outra turma, se eu tivesse desistido dessa turma, não teria optado por outro curso na UNB, logo, não teria passado no vestibular, não teria a ajuda pra ir a frente com algumas coisas e se eu não tivesse optado por me afastar não teria concluído o livro. Todas as decisões trouxeram dúvidas por um tempo, deram medo e por algum tempo eu não enxerguei as coisas como eu queria que fossem, mas de alguma forma deu certo. Se vc acredita em Deus, destino, ação-reação, coincidências ou não… Meu caráter e meu futuro se formaram nos últimos dois anos de uma forma que eu nunca poderia ter planejado e parece, bem… Não planejar parece o certo, mas parece que tudo caminha de uma maneira que realmente me faz muito feliz, então seja lá no que você acredita, eu tenho que agradecer, pelas portas que se fecharam e que se abriram.

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Mas eu não quero exatamente dizer que tudo está ligado, porque isso é besteira, não importa isso… Destino é feito agora, é feito por nós mesmos. Importa mesmo a ação, optar… O que eu quero dizer aqui é, NÃO DESISTA! Saiba quem você é, lute por quem você é! Não vai ser como você espera porque você não é vidente pra prever o futuro, os caminhos vão ser bem diferentes do que você sempre esperou, mas se você for fiel ao que você quer, se você for fiel a quem você é… Vai acabar conciliando e achando o seu caminho… Não é garantia de sucesso ou de fracasso, é apenas ser quem você é, seguir quem você precisa ser em sua totalidade.

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Eu sou a Rainha e to de boas com isso

Eu sou a Rainha e to de boas com isso

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Mas enfim, isso não nos traz nada muito novo… O que entrou de novo na minha vida foi uma sensação. Eu sempre fui e provavelmente sempre vou ser aquele cara que tá enxergando ao longe, que quer ter planos, que quer ter sonhos… Um sagitariano que mira sua flecha longe no horizonte, talvez por isso eu tenha por algum tempo perdido muito. Mas um anjo de cabelo preto e lábios rosados e um corpo de matar me disse “viva o momento” e isso me fez ver outro angulo.

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”Carpe Diem” significa viver o momento e pra mim sempre foi mais importante me planejar pro futuro… Bem, uma coisa não tem NADA a ver com a outra, eu continuei planejando e sempre vou ser assim… Mas puta que pariu, viver o momento é uma lição maravilhosa, até mesmo pra ajudar a tomar decisões. Essa foi a principal lição dos meus últimos 6 meses, aproveitar o hoje é entender que o amanhã se faz hoje, muitos dos melhores momentos de 2013 até agora surgiram quando eu me arrisquei, quando eu sai de casa sem esperar muito de uma noite e acabei nos braços de quem eu queria há muito tempo, quando eu decidi ir encontrar um grupo de colegas que naquele mesmo dia se tornaram amigos, quando eu decidi que mesmo sem saber nada da especifica, tendo certeza do fracasso, eu decidi me concentrar no momento e dar o meu melhor. Quando eu decidi dançar sem me importar com  mais nada… Decidir o futuro é ótimo, viver o momento também. Eu sempre falo aqui sobre olhar para a frente, sobre seguir seus sonhos e como isso nos define… E isso é muito verdade, mas não se esqueça do quão é divertido o presente, do quão nós podemos ser felizes AGORA, o quão nós podemos nos divertir sem que isso interfira nos nossos planos… Saber aproveitar o momento, saber ser feliz no momento… É a lição que eu to aprendendo e preciso aprender, porque quando o futuro chegar, ele não vai ser mais que o presente… Então… CARPE DIEM.

Xo Xo

Rique Raynal

(Ah e se eu puder encerrar com uma música… )

(Claro que eu posso, o blog é meu… )

( Bem… http://www.youtube.com/watch?v=dvgZkm1xWPE )

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Um pensamento sobre “”Carpe Diem” ou ”O primeiro semestre de 2013”

  1. Bem, eu sinceramente me sinto honrada em compartilhar a felicidade que sente ao realizar seus 4 objetivos. É extremamente gratificante como amiga te ver crescer e alcançar aquilo que há 6 meses atrás parecia tão distante! Se você pudesse me passar uma lição, gatinho, seria essa, lutar sempre pelos seus sonhos, nunca perdendo quem se é e sempre valorizando o presente. Amo você ❤

    Sua diretora de arte, fã e amiga nas horas vagas.

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